Acordei com uma sensação de nó no peito, como se algo pressionasse meu pescoço e tórax com tamanha violência que o ar parecia enfrentar um exército para adentrar em meus pulmões. Poderia ser um princípio de infarte, mas essa possibilidade sequer passou por minha cabeça porque na verdade sei bem o que me acomete. Minha moléstia nada mais é que opressão.
Sinto-me oprimida pela vida, pelo desenrolar dos fatos, pelas coisas que não posso controlar e por aquelas que minha ausência de forças não me permite modificar.
Passei anos e anos bailando entre a vida que eu gostaria de levar e a vida real sem conseguir dar um passo que seja no sentido de conciliar ambas. Na verdade, nunca tive coragem suficiente para fazer qualquer dos meus sonhos virar um projeto genuíno.
Deixei-me ser conduzida pelo desejo de outros, por aquilo que eu achava que esperavam de mim. Me tornei adulta, mas quem comandava minha vida e comanda até hoje, embora me esforce para tomar as rédeas, é a criança que mora em mim.
Quando digo criança não me refiro a qualquer coisa de lúdico e sim a uma criatura programada para agradar. A forma de garantir atenção e afeição era me encaixar num molde projetado por um conjunto de pretensões e frustrações alheias.
Eram frases exaustivamente repetidas para uma menininha que provocavam um temor tão gigantesco que até hoje repercute na minha forma de conduzir, ou melhor, de não conduzir a vida.
A minha postura é de total submissão, ainda que eu aparente coisa bem diversa. E o fato é que todo submisso encontra quem o submeta. E eu encontrei vários, seja na minha breve vida profissional, seja no meu campo afetivo.
Uns exercem esse domínio de forma proposital, escancarada. Outros se portam assim sem perceber exatamente o que fazem. De qualquer modo é sempre uma tirania.
Até quando seguirei assim? Será que conseguirei fazer minha revolução pessoal? só o tempo dirá.
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